Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Frequência sensorial

Como um som que se propaga por vários quilómetros, encostas-te a mim harmonioso e tão doce de ouvir... sinto o toque dessas ondas sonoras na superfície da minha alma...
Um eco de sensações repete memórias aos meus olhos cansados, de te esperar renascer para mim...
Sem desafinar cantas-me as tuas notas mais agudas num trecho de justificações "á capella"...
Embalada nessa melodia componho uma sinfonia extensa...
Ensurdecem-me acordes tão graves, da razão que se impõe a um sentimento maestro que coordena sensações numa canção para me embalar...
Perdidos neste som incógnito criamos raízes sedentas de ritmo emocionalmente saudavél...
Conseguiremos subsistir sem nos ensurdecermos um ao outro?

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Astro ultravioleta

Num pequeno planeta ás escuras constroem-se edifícios do passado, num ambiente sombrio... mortiço.
Fantasmas vagueiam entre avenidas cheias de um movimento depressivo assombrando-se uns aos outros como cumprimento de mais um breu de mil horas mortas como eles... uma mísera unidade de tempo...
Esperam por um novo lar...
Esperam por um pequeno conforto de redimirem os seus pecados, perdidos algures numa rua qualquer... sem moradas ou nomes próprios... lamento, tarde demais.
Todos iguais... filhos dos mesmos progenitores... gémeos no seu sofrimento...
A esperança de um perdão é a última que morre... ironia do destino é vê-la varrer aquelas avenidas como um cometa destruidor, que embate nesta peculiar família de desamparados na escuridão da sobrevivência e lhes dá a provar do seu veneno... e lhes leva a expectativa de voltarem a ver a luz...
A tua casa já está reservada... é uma questão de tempo até te poderes mudar... enquanto isso podes sempre visitar as avenidas do teu futuro mundo...

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Insanidade extravagante

Por vezes pergunto-me se estarei a substimar o teu potencial de sobrevivência á minha manipulação...
Há dias em que tenho 5 minutos de pontos de interrogação a pairar á minha volta...
Tento descodificá-los um por um raciocinando como tu... e chego á conclusão que são pequenos testes da minha imaginação... dada a calma e serenidade em que ela se encontra estranhamente há algum tempo...surreal.
Bizarra a maneira como subsistes a esta trovoada de verão... inofensiva no teu território submisso...
Noites de lua cheia... e tão grande e brilhante se mostra ela naquele céu que ambos conhecemos de vez em quando... dá asas á imaginação, deixa a imprudente falar e agir... exige o máximo da tua lucidez trémula, sinto-a nas minhas mãos...
Prestes a partir a corda, tão esticada agora... vejo-a começar a desintegrar-se aos poucos... fio a fio (oiço-os quebrar neste teu silêncio aterrorizado) ela torna-se mais fraca... frágil... quase inexistente... puxo-a mais um pouco e consigo ver o teu limite aproximar-se de mim... tens mais medo que eu, que a corda nos deixe de separar... deixas nas minhas mãos o final destas noites...
Confias em mim...? Ou tens medo de não querer confiar...?
Mais medo tens que eu descubra esta resposta.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Alma não identificada

Uma folha em branco... algumas linhas riscadas sem nexo possivél... uma banda sonora inspiradora, sons fortes que ao fim de alguns minutos conseguem reanimar finalmente um raciocínio parcialmente adormecido...bloqueado.
Com pouco sucesso, vão surgindo umas riscas tremidas ao longo das linhas... arrancadas a ferros...
Violentamente empurradas para este vazio, elas vão-se encaixando umas nas outras formando um leque de sons suaves mas sem expressão ou sentimento... insensíveis no seu julgamento neutro.
Interpretadas por mil sensações e dores em fim de validade, possuem outras tantas mil caras ou vozes... arrancam gestos... gritos... e até sorrisos algumas vezes...
Um pedaço de mim... de ti... de um amigo... de um conhecido... de alguém...
Momentos sem regras, pensamentos sem rosto, vidas sem nome... apenas as minhas palavras.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Rapsódia de sentimentos

Componho textos á toa em torno de uma simples fotografia nossa... que poder pode conter uma mera imagem cheia de cores berrantes sem ligação possivél entre elas?
Cada uma preenche um espaço próprio na minha visão... imperceptível ao meu olhar banal de uma vida mortal...
Incomoda-me essa colorida tela, estática, que faz movimentar o meu sentido de equilíbrio para uma queda cheia de razão no meu tempo presente da realidade.
Obrigada a uma reflexão, invades-me de vermelho tão vivo que consigo ouvir a sua voz incentivar-me na raiva de continuar sem raciocínio proveitoso só porque sim...
Coragem na resistência ao medo que se aproxima, tão negro que já não consigo encontrar as outras cores tão defenidas minutos atrás.
Perdida na queda e no espaço que se tornou negro por completo, se calhar arrependo-me por momentos em tons de amarelo, como o sol que quero voltar a ver agora...
Não sei que côr terá a compaixão... os meus olhos apenas veem um pequeno ponto brilhante sem côr definida ainda... só posso esperar por ela aqui neste mesmo sitio... será uma mescla de todas as cores dessa fotografia que finalmente se tornará coesa para mim?

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Genius

O meu fascínio tem um nome, o teu sem dúvida... passo horas a ouvir-te e a minha mente fluí a cada acorde teu... fico vidrada na tua imagem perante os meus sentidos, reagem-te como fogo, que consome tudo o que toca... sem controle.
O mais afinado e cristalino timbre transforma-se numa rouca e agressiva balada na minha escrita descontrolada ao ouvi-la...
Poucos corpos me falam como o teu e raras vozes me balaçam como a tua, num momento de inspiração genuíno, que não se aprende em vida nenhuma por mais encarnações que assista...
No presente, viciada na tua performance aplaudo-te com toda a euforia das minhas palavras outrora ressacadas...
Satisfação a percorrer toda a tua genialidade a 1000km/h, és tu que me pedes "bis"...
Voltarei a consumir-te na próxima ressaca cerebral do meu inconsciente, escolherei as mais puras palavras para te dar... como neste momento e para o futuro, eterno.

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Uma orbita insana

Faço do teu corpo o meu diário... confio que não lês uma palavra que seja, apenas o guardas com cuidado para eu continuar a escrever...
A tinta perde-se no tempo e algumas folhas estão em branco... fica o decalque na minha pele, consigo ler as palavras através das tuas mãos...
É possivél que um dia deixe de haver espaço para os meus caprichos nessas páginas queimadas do sol... mas continuo a acreditar que te vais desdobrar em mil para que eu não deixe de escrever em ti este pedaço da minha história... até que eu gaste todas as palavras... até que se esgote a insanidade do meu inconsciente, que se apresenta ainda hoje com um sorriso bem rasgado sem saber porquê...
Dás-me um espaço imenso, onde cabe o meu mundo com todas as suas luas, qual júpiter personificado em mim... nada te surpreendeu... talvez isso explique todos os fenómenos escritos na tua pele decalcada em mim...e ainda aqueles que hão-de surgir...